A Câmara Municipal de Natal realizou, na manhã desta sexta-feira (8), uma audiência pública com o tema “Saúde mental antimanicomial: em defesa do cuidado em liberdade”. A iniciativa foi proposta pelo vereador Daniel Valença (PT) e reuniu representantes da saúde pública, usuários da rede de atenção psicossocial e movimentos ligados à luta antimanicomial.
Durante a audiência, Daniel Valença destacou a necessidade de fortalecer a rede de atenção psicossocial do município e criticou o que classificou como permanência de uma lógica manicomial no atendimento à saúde mental.
Segundo o parlamentar, a audiência também serviu para denunciar problemas enfrentados pela rede, como o fechamento do CAPS Leste III e a redução do horário de funcionamento do Centro de Convivência. “É fundamental colocar no centro do debate da cidade a luta antimanicomial. Ainda predomina uma lógica manicomial não só em Natal, mas no país”, afirmou.
Representando o CAPS Leste II, Katiane Silva falou sobre os desafios enfrentados por pessoas com transtornos mentais e defendeu mais humanização no atendimento. Ela destacou que ainda há muito preconceito social, especialmente contra pessoas autistas e usuários dos serviços de saúde mental.
Já a representante do Conselho Municipal de Saúde, Cristiane Rego, ressaltou a importância do fortalecimento da atenção primária para evitar a sobrecarga dos serviços especializados e hospitalares. Segundo ela, o cuidado em saúde mental deve começar na prevenção e promoção da saúde.
Cristiane também destacou que o tratamento não deve se resumir ao uso de medicamentos. “Tomar remédio não significa que a pessoa está tratada. A arte, a música, a dança e a atividade física também ajudam no processo de cuidado”, pontuou.
A audiência também abordou novas demandas relacionadas à saúde mental. A secretária adjunta de Saúde do Rio Grande do Norte, Leidiane Queiroz, informou que o estado está implantando um projeto piloto em parceria com o Ministério da Saúde voltado ao atendimento de pessoas com dependência em jogos online.
De acordo com ela, 13 CAPS do Rio Grande do Norte receberão qualificação para atendimento virtual especializado, incluindo suporte a casos ligados ao vício em apostas online e atendimento a mulheres vítimas de violência. “É um problema social e também de saúde pública”, destacou.
Texto: Phablo Galvão
Fotos: Sarah Carvalho